Falemos de amor na poesia Leve de “Um soneto”, de Guilherme de almeida:

Ama, quieto e em silêncio. É tão medroso o amor, que um gesto o esfria e a voz o gela.

Não. O amor não é medroso. O poeta brinca apenas com a vulnerabilidade dos sentidos ao emprestar “O eco” à vida:

Perguntei à minha vida:

  • “Como achar a apetecida felicidade absoluta?” E um eco me disse: - LUTA!"

Lutei - “Como hei de a esta pena dar a cadência serena que suaviza, embala e encanta?”

  • “CANTA!”

Cantei. - “Mas, como, num verso, resumir todo o universo que em mim vibra, esplende e clama?” então, o eco me disse:

  • “AMA!”

Amei - “Como achar agora a alma simples que eu pus fora pelo prazer de buscá-la?” O eco, então, me disse:

  • “Cala!”

Calei-me. E ele, então, calou-se. Nunca a vida foi tão doce… Tudo é mais lindo a meu lado: Mais lindo, porque calado.[/i]

Lutar, cantar, amar e calar… assim queria o poeta. Lutar para que os desvarios mundanos não roubem nossa sensibilidade. Cantar a canção da dor e a canção o amor. Cantar pelos que, empedernidos, já não conhecem os acordes. Cantar por aqueles que impedem a canção alheia. Cantar o silêncio dos que não têm voz ou vez. Amar como ação necessária de encontros e paisagens. Contemplamos o mundo para conhecê-lo e transformá-lo. E calar? Mas como calar diante das feridas abertas da injustiça e da destruição do nosso irmão? Calar para, como Maria, a mãe da esperança, escutar a boa nova, a missão e então agir…

… Paciência não como acomodação. Calar é contemplar o que precisa ser mudado para depois lutar, combatendo o bom combate, e depois cantar uma canção nova e aí, então, amar. E calar novamente. Sim, amigo, é no silêncio dos nossos porões que habitam muitas razões.

Ganhar ou perder são imagens que temos de momentos que vivemos e de pessoas com as quais nos surpreendemos. Não sei, amigo, se você tem medo das perdas que surgem por ái. Ou se a paciência já é convidada do seu alimento diário. persigo a paciência como persigo a inquietação; Não quero deixar as coisas como estão. Quero mudar o mundo, sim, e para isso presiso também da paciência. E da cumplicidade. Sozinho, sou incapaz de prosseguir, até porque os medos contemporâneos não me abandonaram. Sozinho, sou capaz de desistir….


Padre Fábio De Melo